Hugo
07-06-2002, 11:26
Agora que esse filme entrou em cartaz aki na minha cidade...acho que vou ver.
Fracasso até certo ponto injusto, "A Guerra de Hart", ao contrário do que muita gente pensa, não é um filme ao estilo de "O Resgate do Soldado Ryan" ou "Falcão Negro em Perigo". Enquanto estes se concentravam nas sangrentas disputas travadas nos campos de batalha, "A Guerra de Hart" se concentra numa disputa mais segura, mas não menos dolorosa: um julgamento numa corte marcial, dentro de um campo nazista de prisioneiros de guerra.
Não que o filme não apresente explosões e cenas de guerra: há algumas delas, e são extremamente bem-realizadas e filmadas. Mas o diretor Gregory Hoblit toma uma decisão acertada: ele se concentra em um tipo de trama pouco vista no cinema, e transforma seu drama de guerra num filme de tribunal. O melhor é que ele consegue fazer tudo isso com coerência e ponderação. O filme nunca tem seu ritmo cortado ou a lógica quebrada.
O roteiro, baseado num livro de John Katzenbach, guarda boas reviravoltas e revelações no final, e estas, felizmente, são coerentes e unem as pontas soltas do enredo. Tudo começa quando o Tenente Hart (Colin Farrel) é capturado em território alemão e é enviado à um campo de concentração nazista.
Um dia, dois oficiais negros da força aérea americana, que foram capturados nas proximidades, são enviados ao mesmo local. Eles enfrentam o preconceito dos próprios membros do exército americano, ao ponto de um deles ser executado injustamente por uma infração que não cometeu.
Quando o outro oficial negro é acusado de assassinar um soldado racista, o Tenente Hart, que antes de ir para a guerra estudava Direito, é encarregado de defendê-lo numa corte marcial instalada no local graças à uma idéia do Coronel McNamara (Bruce Willis). Mas o coronel tem planos secretos, e pretende despistar os guardas e oficiais alemães que comandam o local através deste julgamento.
"A Guerra de Hart", felizmente, foge dos clichês fáceis que destróem este tipo de filme. Assim, os alemães não são retratados como personagens unidimensionais, calculistas e psicopatas (apesar de ainda serem os vilões). Aqui há até espaço para uma tímida ponta de amizade que surge entre o Tenente Hart e o diretor do campo de concentração, que o ajuda no tribunal.
Outro ponto que merece ser destacado é que "A Guerra de Hart" não tenta nos vender uma idéia militarista ou pseudo-patriótica, outro grande defeito dos filmes do tipo. Mas também deve ser dito que o filme não toma posição nesta história, e se resume apenas à narrar os fatos. Em suma: não é uma produção panfletária, algo que, convenhamos, é bem raro hoje em dia.
O filme também apresenta uma importante mensagem contra o racismo e ainda questiona a validade da idéia de um homem ser sacrificado para que outros sejam salvos. No entanto, "A Guerra de Hart" só não é melhor porque se mostra frio demais em alguns momentos cruciais, como o próprio julgamento do oficial acusado de assassinato.
O final do filme também poderia ser melhor, já que é marcado pela redenção e arrependimento de um dos personagens principais. Um caminho mais fácil para o final de um filme que optou pelo caminho mais difícil durante todo o restante da projeção.
Fracasso até certo ponto injusto, "A Guerra de Hart", ao contrário do que muita gente pensa, não é um filme ao estilo de "O Resgate do Soldado Ryan" ou "Falcão Negro em Perigo". Enquanto estes se concentravam nas sangrentas disputas travadas nos campos de batalha, "A Guerra de Hart" se concentra numa disputa mais segura, mas não menos dolorosa: um julgamento numa corte marcial, dentro de um campo nazista de prisioneiros de guerra.
Não que o filme não apresente explosões e cenas de guerra: há algumas delas, e são extremamente bem-realizadas e filmadas. Mas o diretor Gregory Hoblit toma uma decisão acertada: ele se concentra em um tipo de trama pouco vista no cinema, e transforma seu drama de guerra num filme de tribunal. O melhor é que ele consegue fazer tudo isso com coerência e ponderação. O filme nunca tem seu ritmo cortado ou a lógica quebrada.
O roteiro, baseado num livro de John Katzenbach, guarda boas reviravoltas e revelações no final, e estas, felizmente, são coerentes e unem as pontas soltas do enredo. Tudo começa quando o Tenente Hart (Colin Farrel) é capturado em território alemão e é enviado à um campo de concentração nazista.
Um dia, dois oficiais negros da força aérea americana, que foram capturados nas proximidades, são enviados ao mesmo local. Eles enfrentam o preconceito dos próprios membros do exército americano, ao ponto de um deles ser executado injustamente por uma infração que não cometeu.
Quando o outro oficial negro é acusado de assassinar um soldado racista, o Tenente Hart, que antes de ir para a guerra estudava Direito, é encarregado de defendê-lo numa corte marcial instalada no local graças à uma idéia do Coronel McNamara (Bruce Willis). Mas o coronel tem planos secretos, e pretende despistar os guardas e oficiais alemães que comandam o local através deste julgamento.
"A Guerra de Hart", felizmente, foge dos clichês fáceis que destróem este tipo de filme. Assim, os alemães não são retratados como personagens unidimensionais, calculistas e psicopatas (apesar de ainda serem os vilões). Aqui há até espaço para uma tímida ponta de amizade que surge entre o Tenente Hart e o diretor do campo de concentração, que o ajuda no tribunal.
Outro ponto que merece ser destacado é que "A Guerra de Hart" não tenta nos vender uma idéia militarista ou pseudo-patriótica, outro grande defeito dos filmes do tipo. Mas também deve ser dito que o filme não toma posição nesta história, e se resume apenas à narrar os fatos. Em suma: não é uma produção panfletária, algo que, convenhamos, é bem raro hoje em dia.
O filme também apresenta uma importante mensagem contra o racismo e ainda questiona a validade da idéia de um homem ser sacrificado para que outros sejam salvos. No entanto, "A Guerra de Hart" só não é melhor porque se mostra frio demais em alguns momentos cruciais, como o próprio julgamento do oficial acusado de assassinato.
O final do filme também poderia ser melhor, já que é marcado pela redenção e arrependimento de um dos personagens principais. Um caminho mais fácil para o final de um filme que optou pelo caminho mais difícil durante todo o restante da projeção.